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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Tá a fim de um programa? Continua baratinho!

A Secretaria de Cultura(?) do DF resolveu dar uma atualizada na programação musical publicada em seu site!

Maio

Temporada Oficial da OSTNCS

Terça-feira (20), às 20h 
Local: Teatro Pedro Calmon – Setor Militar Urbano
Entrada Franca – mediante a ordem de chegada
Mais informações: 3325-6232/3325-6171

Concerto Europeu
Terça-feira (13/05), às 20h
Local: Teatro Pedro Calmon – Setor Militar Urbano
Entrada Franca – mediante a ordem de chegada
Mais informações: 3325-6232/3325-6171

Temporada Oficial da Orquestra Sinfônica Teatro Nacional Cláudio Santoro
Terça-feira (06), às 20h
Local: Teatro Pedro Calmon – Setor Militar Urbano
Entrada Franca – mediante a ordem de chegada
Mais informações: 3325-6232/3325-6171

Semi-milagres acontecem, aparentemente! Como, porém, santo de casa não faz milagres inteiros, só conseguiram resolver metade do problema. Já sabemos, ao menos, o que foi que aconteceu no mês de maio. A programação de cada um dos concertos, porém, continua sendo uma matéria para videntes e afins. Caso você queira saber o que vai acontecer no futuro - em junho de 2014, digamos - para poder se programar, ligue novamente para o vidente, pois nem a Secretaria parece saber...

A página da Orquestra, por outro lado, continua como era em junho de 2013:

Programação de Concertos da OSTNCS

Índice do Artigo
Programação de Concertos da OSTNCS
Maio
Abril
Março 2013
Fevereiro 2013
Todas as Páginas

Concertos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional – OSTNCS

Concertos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional - OSTNCS
Programação dos concertos da OSTNCS
Local: Sala Villa Lobos (Teatro Nacional, Setor Cultural Norte, Via N2)
Dia/hora: terça-feira, às 20h
Entrada: franca
Classificação: livre
Contato: (61) 3325-6171 

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JUNHO 2013*

III Festival de Ópera de Brasília


Data: 12/06 a 07/07
Horário: 20h
Local: Sala Villa Lobos
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) a venda na bilheteria do Teatro ou pelo site www.ingresso.com.br
Informações: (61) 3325-6239 (bilheteria)
Classificação: livre
Ópera Carmen: 12, 14, 16, 17 19 e 20/06
Concerto em homenagem a Wagner e Verdi: 25 e 26/06
Ópera Olga: 03, 05 e 07/07


domingo, 23 de março de 2014

I'm silly, colleague; ou: Mamãe aqui estou eu, sou homem com H

Cansei-me de ficar atualizando vídeos! Preciso dar um tempo, antes de enlouquecer de verdade.

Resolvi, portanto, dar início a uma nova série neste blog, dedicada a assuntos não-musicais, já que, quando se escreve um blog - por mais meia-boca que seja - acaba-se fuçando tanto, mas tanto, que você, sem querer, descobre coisas (nem sempre) interessantes. Com vocês, o episódio de hoje:


"I'm silly, colleague; ou: Mamãe aqui estou eu, sou homem com H"


Num dos vídeos que incluí recentemente apareceu, para meu espanto, esta propaganda:


Como não podia de ser, acabei me lembrando disso aqui:



O Angeli, aliás, também achava que "uma coisa" está muito próxima de "outra coisa":





Ou, como dizia o Nanico:


Serve para outros assuntos, além de política! Mas, pensando bem, não deve ser a sério essa propaganda do Old Spice lá em cima. Deem uma olhada no site www.homenidade.com.br (!!!!!!!!!!!). Não pode ser a sério!

Enfim... Assim caminha a homenidade:


I'm silly, colleague

Tô bobo, colega! Descobri na sexta-feira - depois de quase um ano - que os vídeos do blog não aparecem quando você o acessa por celular! Que coisa! Ainda bem que eu não sou uma toupeira-informática (ironia, ok?).

Graças aos céus de Brasília (ó só que lindo!)...


... existe o Gúgou para nos (me) socorrer.

Acabei descobrindo (eu, a toupeira) que a maioria dos smartphones (nem tão smarts assim, pelo visto) só conseguem visualizar vídeos do YouTube quando você insere, por meio do "editor de html" do blog, o embedded code do vídeo que você quer que apareça no kindofsmartphone. Deu pra entender? Se você for como eu, precisará futucar bastante até descobrir o que é que querem dizer com isso - mas eu sou uma anta, e não valho como referência.

Resultado: preciso editar cada um dos posts, e, em cada um deles, editar cada um dos vídeos, o que significa abrir um a um lá no YT, clicar em "compartilhar", depois clicar em "incorporar", depois copiar a informação que é apresentada, depois ir no editor do Blogger, abrir o post em questão, localizar o vídeo, clicar com o botão direito nele, selecionar "inspecionar elemento", clicar com o botão direito no tal "elemento", selecionar "editar como HTML", apagar o que tem lá, e colar aquela informação que copiei lá do IúTúbi.

Terei que repetir esse passos alguns milhares de vezes até que todos os vídeos tenham sido "âpdeitados". Socorro! Ainda bem que eu sou rico, não preciso ir trabalhar, nem cuidar de casa, nem cuidar dos meus bichos, nem tomar banho, nem dormir, nem fazer mais nada na vida além de alimentar, cuidar, dar banho e limpar a bunda deste blog.

Também, ninguém me obrigou a fazer nada disso! Agora aguente!

Enfim... Tudo isso para dizer que eu sou TOC-TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo em dobro) e preciso arrumar tudo antes de publicar mais alguma coisa. Como se não bastasse, a minha mais assídua leitora (a assídua leitora, a única) me pediu para escrever sobre danças na música clássica. Como todo mundo pode imaginar, a lista "básica" deve ter, por baixo, 2.748 danças diferentes, e provavelmente me dará trabalho escrever sobre esse assunto! E também dará trabalho a quem quiser ler, pois teremos que dividir o assunto em pequenas (ou grandes) doses homeopáticas (ou alopáticas). Ou seja: aproveite para ir ao cinema, viajar, reformar sua casa, aprender algum idioma, escrever um livro, pois passaremos algum tempo sem novidades por aqui.

Então tá, é isso! Até a próxima, quando eu acabar de "âpdeitar" os vídeos.


P.S.: Essa foto aí de cima é by myself mesmo, tirada da minha sacada, sem filtro nenhum. Essa cor "ridícula" é de verdade! Como diz uma grande amiga minha: "Que céu celestial!"

P.S. 2: O bom é que agora eu já sei como incluir direitinho os vídeos, e, daqui pra frente, tudo vai ser diferente!


P.S. 3: Não parece que o Tim Burton copiou esse "modelito" do Roberto Carlos em seu filme A Fantástica Fábrica de Chocolate?


sexta-feira, 21 de março de 2014

Tá a fim de um programa? É baratinho!

Aliás, é de graça, como (quase) todo concerto de nossa Orquestra Sinfônica. Ó só o programa para a quarta-feira da semana que vem, retirado DAQUI:

26/03 - Homenagem a Richard Wagner

Solista: Netanel Draiblate

Regente: Claudio Cohen.


Muito profissional! Adorei o programa do concerto: "Homenagem a Richard Wagner". O que será? Celebração de uma missa para comemorar os 200(+1) anos do nascimento do Ricardão? Ou será que vai ter uma recepção, com direito a canapés e discurso? Imagino que seja uma homenagem musical mesmo, claro, já que vai ter um solista... Aliás, solista de quê? Xilofone? Mas imagino que seja um cantor, né?, já que estamos falando de Wagner...

Se você imaginou a mesma coisa que eu, parabéns: erramos juntos, pois o solista é um violinista!!!:


E depois sou obrigado a ouvir críticas às minhas críticas... O mínimo que se espera do Teatro NACIONAL é um pouquinho de profissionalismo. Ou, se não tem prazer em ser profissional, finja, para que ao menos o público não fique achando que é tudo "nas coxas".

Ó só este programa:

07/05 - Concerto Europeu

Bela Bartok - Danças Húngaras

F.Chopin - concerto no.1 para piano e orquestra

J. Sibelius - concerto para violino e orquestra

Solista - Fréderic Pelassy (violino

M. de Falla - El amor brujo

Regente Vladimir Prado


Levemente menos pior. Sabemos que, neste caso, o Fréderic Pelassy é violinista, e que vai tocar o concerto do Sibelius. Bom saber! E melhor ainda seria também saber quem vai ser o pianista no concerto do Chopin, você não acha?

Também seria legal se tivesse ":" depois da palavra Regente. Se possível, seria legal se depois de "F." tivesse um espaço antes de se escrever Chopin. Ou um "fecha parênteses" depois de violino... Mas aí, também, é querer demais, né? Além de querer informação musical certa, ainda faço questão de português bem escrito? Pra quê?

Mais um exemplo, quer?

1º/05 - Concerto do Trabalhador

18hs - Torre de TV


G VERDI - Abertura Nabucco 8'

G BIZET - Farandole da Suíte Arlesienne 4'

A BORODIN - Danças Polovtsianas de Príncipe Igor 11'

M FALLA - Dança Final: Jota de O Chapéu de Três Pontas 5'

A CARLOS GOMES - Alvorada de Lo Schiavo 6'

HEITOR VILLA LOBOS - O Trenzinho do Caipira (orquestração para orquestra 3.2.2.2-4.3.3.1-timp-perc-cordas) 4'

HEITOR VILLA LOBOS - Na Corda da Viola (orquestração para orquestra 3.2.2.2-4.3.3.1-timp-perc-cordas)

A PIZZAIOLA - Ádiós Nomino (orquestração para orquestra 3.2.2.2-4.3.3.1-timp-perc-cordas) 6'

MILTON NASCIMENTO / CHICO BUARQUE - O Cio da Terra 4'

CLÓVIS PEREIRA/GUERA-PEIXE-Mourão (orquestração para orquestra 3.2.2.2-4.3.3.1-timp-perc-cordas) 4'

Regente Matheus Araújo


Tenho a impressão de que o programa que é publicado no site da Secretaria de Cultura do DF é feito pela primeira pessoa que, por um azar, passar por perto. Ou pessoas diferentes escrevem cada um deles, ou estamos frente a um caso claro de múltiplas personalidades! Nesse programa a gente fica sabendo quanto vai durar cada peça, e até qual é a orquestração de algumas delas; esses numerinhos e letrinhas (3.2.2.2-4.3.3.1-timp-perc-cordas) se referem à composição da orquestra, neste caso seriam 3 flautas, 2 oboés, 2 clarinetas, 2 fagotes + 4 trompas, 3 trompetes, 3 trombones, 1 tuba + tímpanos + percussão + cordas).

Gostei de saber qual a instrumentação, apesar de ter certeza de o programa ter sido elaborado por alguém sem muita experiência (tenho a impressão de que cataram as informações de alguma tabela de ensaios e mandaram publicar do jeito que estava lá!). O português, como sempre, sofre... G Verdi, G Bizet, A Borodin, etc, etc, etc... Acho que usaram todos os pontos disponíveis para especificar a orquestração e não sobrou mais nenhum para o resto do trabalho. Deve ter sido isso mesmo que aconteceu, pois faltou também ":" depois de Regente. Ah, ainda tem Villa Lobos sem hífen!

Secretaria do quê, mesmo? Cultura? Ah... ainda bem...

Quer continuar? Que saber do pior? Eu te enganei! Esses programas são do ano passado! Depois de maio de 2013 não aconteceu mais nada na Orquestra, parece. Ó só a programação para março de 2014:


Esta extensa agenda cultural também irá se repetir em abril, maio, junho, julho, etc, etc, etc...

Tem base? 

Ó só a programação da Orquestra Sinfônica Brasileira, AQUI. Ou a programação da OSESP, AQUI. Não vou nem falar da programação de orquestras do "mundo civilizado", para não ficar com mais vergonha ainda! E isso porque eu nem comecei a reclamar da "maravilhosa" facilidade em se adquirir ingressos para o Teatro Nacional: leve dinheiro. Vamos comprar entradas para a família inteira assistir a um showzinho básico a 200 reais por cabeça? Eu, minha cara-metade, meus 3 filhos, mais a minha cunhada com o filho, que também querem ir, mais a chata da minha sogra: 8 x 200 = 1.600 reais na carteira. Prático, não é? E só vale se for ao vivo! Se você morar em Brazlândia, meus pêsames! Terá que enfrentar algumas dezenas de quilômetros para conseguir comprar um mísero ingresso!

E depois dizem que eu é que sou chato. Tá certo, confesso, sou chato mesmo, mas eu ser chato não significa que Brasília não mereça uma Secretaria de Cultura com mais "ltura" e menos "c..."


segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Pra que facilitar, se a gente pode complicar?

Não sou de fazer isso, mas não resisti:




Antes de continuarmos, vamos ouvir alguns exemplos dessa "escola" assim chamada New Complexity:

Terrain, para violino solo e grupo de câmara, do inglês Brian Ferneyhough:


English Country Tunes: "Green Meadows", do também inglês Michael Finnissy:


Ti.re-Ti-ke-Dha, do escocês James Dillon:


E preste atenção!, eu adoro música contemporânea! Espero que minha repulsa a este tipo de "erro" não seja puro preconceito meu. Já li muita coisa, muitas opiniões, muitas considerações, contra e a favor de tal música (A maioria das coisas que li - até hoje, pelo menos - está dentro da categoria "Pô! Isso é espetacularmente importante e significativo!").

Uma opinião bastante comum é a de que os compositores desta "sei lá o quê" estão buscando, através dessa complexidade, uma maior dedicação e esforço por parte dos intérpretes, e, consequentemente, uma maior valorização dos mesmos. Minha crítica: sinto muito... vocês estão valorizando apenas os intérpretes de suas próprias músicas, claro, pois a interpretação de todo o resto da música, parece, pode ficar relegada a intérpretes que, obviamente, não têm dedicação suficiente.

Também tenho a impressão de que - no fundo, no fundo - nem nestes poucos intérpretes vocês confiam! Se é necessário tanto esforço, tanta limitação, tantas instruções diferentes e simultâneas, para manter o intérprete atento ao que está fazendo, não deve ser porque confiam muito neles... Juro que fica parecendo - para mim, ao menos - que foram criadas inúmeras cercas eletrificadas, de todos os modelos e tamanhos imagináveis, para manter as galinhas caminhando na trilha "certa", pois elas, obviamente, não têm competência suficiente para descobrirem, sozinhas, para onde ir.

Isso combina com outra crítica a favor que frequentemente encontro: "Essa música soa como improvisação, mas ela é feita com esse intuito mesmo. Ao contrário de ser aleatória, esta música é feita para obrigar o intérprete a oferecer um tipo de improvisação controlada, já que não se pode contar com a seriedade da intenção do intérprete e deixá-los livre para improvisar por conta própria". Juro! Li várias vezes essa mesma opinião, em diversos textos: não se pode confiar no intérprete, pois a maioria, claro, não é confiável.

Outra opinião comum a respeito dessas obras é a seguinte: É importante essa dificuldade extrema, pois é uma maneira de se transmitir "fisicamente" o tamanho da exigência feita ao intérprete. É uma maneira de o intérprete mostrar visualmente a complexidade da música.

De novo, minha crítica, a dois pontos dessa opinião:

- Música visual? Feita para quê? Para acompanhar um balé escrito? Ou como trilha sonora de um filme esculpido em mármore? Me parece que há alguma confusão nessa tentativa de visualização da música: além de não confiarem nos intérpretes, também me parece que não confiam nem na própria música e seus recursos "meramente" auditivos...

- Elas (essas obras) só são realmente complexas quando você está vendo a partitura. Se depender apenas do seu ouvido, ela soa realmente aleatória, muito pouco complexa, na verdade. Quer ver? Vamos fazer um teste: ouça este "Estudo Transcendental nº 5" sem ver a partitura. Feche os olhos!


Atualização: sumiu do YouTube, e não sobrou mais nenhum desses estudos com a partitura, saco. Mas, se alguém quiser ouvir os Concertos Transcendentais 1 a 4, aqui vão eles:


Agora ouça novamente, tentando ler a partitura.

(Pode usar a primeira partitura lá de cima, só para ter uma ideia da complexidade da escrita)

Tá vendo? A complexidade da escrita musical não parece ter muito efeito sobre a complexidade do som. Claro que o som é "complexo" (entre aspas mesmo), mas a quilômetros de distância da complexidade da escrita. A grande maioria das obras da New Complexity, apesar de soarem complicadas, estão, "sonoramente" falando, muitos graus abaixo da correspondente complexidade visual. Novamente chegamos à concepção de música para os olhos...

Ouça outro Estudo Transcendental, agora do Fraz Liszt (o nº 2):


Aposto que você, mesmo sem olhar a partitura, conseguiu ouvir a dificuldade. Mas talvez o intérprete não tenha necessitado se esforçar tanto... (Estou sendo irônico, ok?)

Ou seja: os meios da New Complexity me parecem um tanto quanto exagerados para o fim a que se destinam. É como exigir de uma criança que ela aprenda a calçar meia usando apenas a boca. O resultado seria o mesmo se você a deixasse utilizar as mãos, mas ao usar só a boca a criança seria obrigada a mostrar empenho verdadeiro...

Claro que todos os membros dessa escola (movimento?, seita?) são absolutamente contrários ao uso da expressão "new complexity" para categorizar suas músicas, mas isso, a meu ver, só reforça a faceta mais estereotipada de todo este movimento: a recusa em aceitar o óbvio, pois o diferencial dessa música é a complexidade da escrita, nada mais que isso (para mim, ao menos).

Isso também combina com outra opinião comum a respeito dessa música, qual seja, a de que ela não é feita para ser tocada exatamente como está escrita, o que também é óbvio: Primeiro, porque é impossível ser executada corretamente; em segundo lugar (e mais problemático ainda, a meu ver), porque, mesmo que seja executada com precisão absoluta, é impossível (inclusive para o compositor), saber se está "certa" ou não. É humanamente impossível, enquanto se ouve, rotular, separar, analisar e calcular  as inúmeras gradações rítmicas, dinâmicas, expressivas, e se chegar a uma conclusão sobre a correção da execução.

A essa crítica, respondem que um dos intuitos dessa música é justamente esse, a busca pela perfeição, mesmo sabendo-se desde o princípio que essa perfeição é inalcançável. Mais uma vez é não se aceitar o óbvio: qualquer arte performática está sempre sujeita a erros, tropeços, falhas, e a perfeição é inalcançável. Ou vai me dizer que um Mozart perfeito é mais fácil de ser atingido? Esse, decididamente, não é o diferencial dessa música!

Enfim... Se quer complicar, fique à vontade! E quem quiser se aventurar a tocar suas músicas, fique à vontade também! O que me irrita, na verdade, é a discrepância entre o resultado e o esforço. Não é música (para mim, ao menos) feita para se ouvir. É música feita para comprovar a "genialidade" do intérprete e do compositor. 

E também não tenho nada contra pessoas geniais! O problema é que a música não é genial. Os intérpretes e os compositores podem ter as personalidade mais marcantes do universo, e serem geniais (principalmente os intérpretes), mas a música não tem muita personalidade. Ouça cada uma das peças abaixo e descubra: O que elas "falam"? O que elas "pensam"? Quem elas "são"? Para mim, elas soam sempre como um único indivíduo, indistinguíveis entre si. As plumagens mudam, mas o passarinho continua o mesmo...





Pode ser que chegue o dia em que eu seja obrigado a morder minha própria língua, mas duvido. Preconceito meu? Talvez. Mas, sinceramente, essa música, para mim, tem tanto valor (e tanta personalidade) quanto o Baloon Dog (Orange), do Jeff Koons, vendido por 58,4 milhões de dólares:


Que, obviamente, é completamente diferente do Baloon Dog (Blue):


Que, claro, é completamente diferente do Baloon Dog (Pink):


Que - chega a doer de tão óbvio - é completamente diferente do Baloon Rabbit:


Que não tem, é claro, a mesma personalidade que o Sacred Heart:


Enfim... eu sou chato mesmo!

domingo, 17 de novembro de 2013

Post-It: Têje preso!

Ó só essa notícia aqui:

Spanish pianist faces jail over noise pollution claims


Pianist Laia Martin in court in Girona, Spain (15 Nov. 2013)



Spanish prosecutors are seeking a 20-month prison sentence for a professional pianist whose former neighbour is suing over alleged noise pollution. Musician Laia Martin is on trial in Girona after her family's downstairs neighbour, Sonia Bosom, accused her of causing psychological harm.

Prosecutors are also demanding that the 27-year-old be banned from professional piano playing for six months. A verdict is expected within two weeks. Ms Martin's parents are also being sued and face a fine if found guilty.
Ms Bosom alleges that the pianist - a conservatoire student at the time - practised her piano for eight hours, five days a week from 2003-2007.
'Piano horror'

The alleged victim said she now has such a horror of pianos, she cannot stand even seeing them in films, reports say. Ms Bosom's lawyer said she had endured "four years of suffering," the Associated Press news agency reports.
In their defence, the Martin family said they had tried to soundproof the room, and that the practice had not been as constant as claimed. The public prosecutor had initially sought a jail term of over seven years for Ms Martin.

E eis aqui o resultado de milhões de horas infernizando a vizinha do andar de baixo:


Se a moda pega, era uma vez músicos. Ou será que o Estado vai pagar 8 horas de estúdio por dia para que possam praticar? Pior ainda: já pensou se ela estudasse trombone? Prisão perpétua!!!!!