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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Tá a fim de um programa? Continua baratinho!

A Secretaria de Cultura(?) do DF resolveu dar uma atualizada na programação musical publicada em seu site!

Maio

Temporada Oficial da OSTNCS

Terça-feira (20), às 20h 
Local: Teatro Pedro Calmon – Setor Militar Urbano
Entrada Franca – mediante a ordem de chegada
Mais informações: 3325-6232/3325-6171

Concerto Europeu
Terça-feira (13/05), às 20h
Local: Teatro Pedro Calmon – Setor Militar Urbano
Entrada Franca – mediante a ordem de chegada
Mais informações: 3325-6232/3325-6171

Temporada Oficial da Orquestra Sinfônica Teatro Nacional Cláudio Santoro
Terça-feira (06), às 20h
Local: Teatro Pedro Calmon – Setor Militar Urbano
Entrada Franca – mediante a ordem de chegada
Mais informações: 3325-6232/3325-6171

Semi-milagres acontecem, aparentemente! Como, porém, santo de casa não faz milagres inteiros, só conseguiram resolver metade do problema. Já sabemos, ao menos, o que foi que aconteceu no mês de maio. A programação de cada um dos concertos, porém, continua sendo uma matéria para videntes e afins. Caso você queira saber o que vai acontecer no futuro - em junho de 2014, digamos - para poder se programar, ligue novamente para o vidente, pois nem a Secretaria parece saber...

A página da Orquestra, por outro lado, continua como era em junho de 2013:

Programação de Concertos da OSTNCS

Índice do Artigo
Programação de Concertos da OSTNCS
Maio
Abril
Março 2013
Fevereiro 2013
Todas as Páginas

Concertos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional – OSTNCS

Concertos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional - OSTNCS
Programação dos concertos da OSTNCS
Local: Sala Villa Lobos (Teatro Nacional, Setor Cultural Norte, Via N2)
Dia/hora: terça-feira, às 20h
Entrada: franca
Classificação: livre
Contato: (61) 3325-6171 

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JUNHO 2013*

III Festival de Ópera de Brasília


Data: 12/06 a 07/07
Horário: 20h
Local: Sala Villa Lobos
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) a venda na bilheteria do Teatro ou pelo site www.ingresso.com.br
Informações: (61) 3325-6239 (bilheteria)
Classificação: livre
Ópera Carmen: 12, 14, 16, 17 19 e 20/06
Concerto em homenagem a Wagner e Verdi: 25 e 26/06
Ópera Olga: 03, 05 e 07/07


quarta-feira, 7 de maio de 2014

A primeira buzinada a gente nunca esquece!




Recebi recentemente meu primeiro "não gostei" aqui no blog. Morrendo de curiosidade por saber quem foi! Dos "gostei-s" eu conheço bem a origem, portanto esta curiosidade já nasceu saciada. 

Enfim... como provavelmente eu nunca saberei a origem do "não", nem vou me preocupar mais com isso. Resta, porém, a dúvida: será que não gostaram do post? Ou não gostaram das músicas do post? Ou não gostaram de nada?

Mas estou feliz. Como dizia Nelson Rodrigues: "Toda unanimidade é burra". Ou, como digo eu mesmo: "É impossível agradar a gregos e troianos, brasilienses e goianos".

sexta-feira, 21 de março de 2014

Tá a fim de um programa? É baratinho!

Aliás, é de graça, como (quase) todo concerto de nossa Orquestra Sinfônica. Ó só o programa para a quarta-feira da semana que vem, retirado DAQUI:

26/03 - Homenagem a Richard Wagner

Solista: Netanel Draiblate

Regente: Claudio Cohen.


Muito profissional! Adorei o programa do concerto: "Homenagem a Richard Wagner". O que será? Celebração de uma missa para comemorar os 200(+1) anos do nascimento do Ricardão? Ou será que vai ter uma recepção, com direito a canapés e discurso? Imagino que seja uma homenagem musical mesmo, claro, já que vai ter um solista... Aliás, solista de quê? Xilofone? Mas imagino que seja um cantor, né?, já que estamos falando de Wagner...

Se você imaginou a mesma coisa que eu, parabéns: erramos juntos, pois o solista é um violinista!!!:


E depois sou obrigado a ouvir críticas às minhas críticas... O mínimo que se espera do Teatro NACIONAL é um pouquinho de profissionalismo. Ou, se não tem prazer em ser profissional, finja, para que ao menos o público não fique achando que é tudo "nas coxas".

Ó só este programa:

07/05 - Concerto Europeu

Bela Bartok - Danças Húngaras

F.Chopin - concerto no.1 para piano e orquestra

J. Sibelius - concerto para violino e orquestra

Solista - Fréderic Pelassy (violino

M. de Falla - El amor brujo

Regente Vladimir Prado


Levemente menos pior. Sabemos que, neste caso, o Fréderic Pelassy é violinista, e que vai tocar o concerto do Sibelius. Bom saber! E melhor ainda seria também saber quem vai ser o pianista no concerto do Chopin, você não acha?

Também seria legal se tivesse ":" depois da palavra Regente. Se possível, seria legal se depois de "F." tivesse um espaço antes de se escrever Chopin. Ou um "fecha parênteses" depois de violino... Mas aí, também, é querer demais, né? Além de querer informação musical certa, ainda faço questão de português bem escrito? Pra quê?

Mais um exemplo, quer?

1º/05 - Concerto do Trabalhador

18hs - Torre de TV


G VERDI - Abertura Nabucco 8'

G BIZET - Farandole da Suíte Arlesienne 4'

A BORODIN - Danças Polovtsianas de Príncipe Igor 11'

M FALLA - Dança Final: Jota de O Chapéu de Três Pontas 5'

A CARLOS GOMES - Alvorada de Lo Schiavo 6'

HEITOR VILLA LOBOS - O Trenzinho do Caipira (orquestração para orquestra 3.2.2.2-4.3.3.1-timp-perc-cordas) 4'

HEITOR VILLA LOBOS - Na Corda da Viola (orquestração para orquestra 3.2.2.2-4.3.3.1-timp-perc-cordas)

A PIZZAIOLA - Ádiós Nomino (orquestração para orquestra 3.2.2.2-4.3.3.1-timp-perc-cordas) 6'

MILTON NASCIMENTO / CHICO BUARQUE - O Cio da Terra 4'

CLÓVIS PEREIRA/GUERA-PEIXE-Mourão (orquestração para orquestra 3.2.2.2-4.3.3.1-timp-perc-cordas) 4'

Regente Matheus Araújo


Tenho a impressão de que o programa que é publicado no site da Secretaria de Cultura do DF é feito pela primeira pessoa que, por um azar, passar por perto. Ou pessoas diferentes escrevem cada um deles, ou estamos frente a um caso claro de múltiplas personalidades! Nesse programa a gente fica sabendo quanto vai durar cada peça, e até qual é a orquestração de algumas delas; esses numerinhos e letrinhas (3.2.2.2-4.3.3.1-timp-perc-cordas) se referem à composição da orquestra, neste caso seriam 3 flautas, 2 oboés, 2 clarinetas, 2 fagotes + 4 trompas, 3 trompetes, 3 trombones, 1 tuba + tímpanos + percussão + cordas).

Gostei de saber qual a instrumentação, apesar de ter certeza de o programa ter sido elaborado por alguém sem muita experiência (tenho a impressão de que cataram as informações de alguma tabela de ensaios e mandaram publicar do jeito que estava lá!). O português, como sempre, sofre... G Verdi, G Bizet, A Borodin, etc, etc, etc... Acho que usaram todos os pontos disponíveis para especificar a orquestração e não sobrou mais nenhum para o resto do trabalho. Deve ter sido isso mesmo que aconteceu, pois faltou também ":" depois de Regente. Ah, ainda tem Villa Lobos sem hífen!

Secretaria do quê, mesmo? Cultura? Ah... ainda bem...

Quer continuar? Que saber do pior? Eu te enganei! Esses programas são do ano passado! Depois de maio de 2013 não aconteceu mais nada na Orquestra, parece. Ó só a programação para março de 2014:


Esta extensa agenda cultural também irá se repetir em abril, maio, junho, julho, etc, etc, etc...

Tem base? 

Ó só a programação da Orquestra Sinfônica Brasileira, AQUI. Ou a programação da OSESP, AQUI. Não vou nem falar da programação de orquestras do "mundo civilizado", para não ficar com mais vergonha ainda! E isso porque eu nem comecei a reclamar da "maravilhosa" facilidade em se adquirir ingressos para o Teatro Nacional: leve dinheiro. Vamos comprar entradas para a família inteira assistir a um showzinho básico a 200 reais por cabeça? Eu, minha cara-metade, meus 3 filhos, mais a minha cunhada com o filho, que também querem ir, mais a chata da minha sogra: 8 x 200 = 1.600 reais na carteira. Prático, não é? E só vale se for ao vivo! Se você morar em Brazlândia, meus pêsames! Terá que enfrentar algumas dezenas de quilômetros para conseguir comprar um mísero ingresso!

E depois dizem que eu é que sou chato. Tá certo, confesso, sou chato mesmo, mas eu ser chato não significa que Brasília não mereça uma Secretaria de Cultura com mais "ltura" e menos "c..."


terça-feira, 11 de março de 2014

P.S do Ziriguidum

Tive que voltar ao assunto daquele post, pois havia me esquecido de algo que não poderia ter faltado, os lundus, um dos ritmos trazidos de Angola e que, junto com outros, tanto importados quanto criados aqui, deu origem ao nosso samba. O Mário de Andrade, além de escritor, também entendia muito sobre música (até escreveu a primeira história da música brasileira de que tenho notícia - Pequena História da Música Brasileira - além de vários outros livros sobre música), e em 1938 realizou um grande expedição para coletar material folclórico  do Norte e do Nordeste. Vamos ouvir, então, um dos lundus recolhidos por Mário, meu mais novo amigo, numa gravação, obviamente, recente:


Descobri que só recentemente todo este material - que  esteve guardado por quase 80 anos - foi finalmente analisado, separado, catalogado, e, surpresa!!!, lançado pelo SESC-SP, numa coleção de 7 CDs! Estou DOIDO ALUCINADO para comprá-la!

Se alguém quiser adquirir a coleção (aproveite e compre dois exemplares!), o link é este AQUI!

O Villa-Lobos, como não podia deixar de ser - já que ele também vivia viajando para recolher música folclórica e indígena - escreveu ao menos um lundu - só conheço este mesmo - o Lundu da Marquesa de Santos:

Minha flôr idolatrada
Tudo em mim é negro e triste
Vive minh'alma arrasada Ó Titilha
Desde o dia em que partiste
Este castigo tremendo
já minh'alma não resiste, Ah!
Eu vou morrendo, morrendo
Desde o dia em que partiste

Tudo em mim é negro e triste
Vive minh'alma arrasada, Ó Titilha!
Desde o dia em que partiste
Tudo em mim é negro e triste
Este castigo tremendo, tremendo.

Minha flôr idolatrada
Tudo em mim é negro e triste
Vive minh'alma arrasada Ó Titilha
Desde o dia em que partiste
Este castigo tremendo
já minh'alma não resiste, Ah!
Eu vou morrendo, morrendo
Desde o dia em que partiste
Ó titilha

Aqui vai  a versão para orquestra (até onde eu saiba, o original é para piano e voz):


E uma versão para violão, que eu prefiro à essa daí de cima:


A gravação mais interessante que encontrei é, por incrível que pareça, Argentina:


As cantoras e cantores brasileiros têm a mania - errada, na minha opinião - de achar que estão cantando Verdi. Ó só:



Pausa para Crítica

poema que eu coloquei lá em cima foi retirado desse vídeo que acabamos de ouvir, e eu o coloquei (o poema) com erro mesmo, de propósito. Depois o povo acha que eu sou muito chato quando reclamo da falta de cuidado ao se realizar as coisas por aqui. O refrão "Ó Titilha" (que aparece também como "ó titilha" lá em cima) na verdade é "Ó, Titília", o tratamento carinhoso dado a Domitila de Castro Canto e Melo - a Marquesa de Santos. Nem para transcrever o texto direito tiveram cuidado... E depois reclamam da qualidade da educação no Brasil... A culpa, pelo visto, é sempre dos outros!

Fim da Pausa


Enfim... essa gravação daqui de baixo pelo menos é interpretada por um homem, o que faz muito mais sentido, já que é um canção de D. Pedro para a Marquesa de Santos, umas das três músicas compostas por Villa-Lobos para a peça teatral A Marquesa de Santos, de Viriato Corrêa:


Mais uma gravação "verdiana" para o lundu, esta recém-saída do forno (2012), por obra e graça de professores do Departamento de Música da Unb:



2ª Pausa para Crítica

Uma das coisas que "adoro" nessa gravação made in Brasília é o "respeito absoluto" pela pianista! Ela aparece no vídeo pelo tempo "enormemente gigantesco" de 22 segundos. Eu contei! Pode ouvir de novo, se quiser tirar a prova. Ela aparece no vídeo entre as marcas de 2:23 e 2:45, e, mesmo assim, como figurante... Além de faltar educação também falta educação, por parte de quem quer que tenha sido o responsável pelo vídeo: aluno da cantora? marido da cantora? cinegrafista(???) contratado para o evento? alguém da platéia?

Cada dia que passa eu faço mais inimigos aqui em Brasília. Ou melhor, faria, se alguém lesse este blog, além dos meus 3,5 leitores de sempre. Ainda bem que eu já passei da fase de me importar muito com isso...

Fim da 2ª  Pausa


E agora eu me cansei de cantores "villa-lobísticos-verdianos" e nem vou colocar mais outro vídeo, como tinha planejado. Grrrrrrrrrr-au-au!

Para terminarmos por hoje: se alguém tiver curiosidade em saber quais são as outras músicas do Villa para A Marquesa de Santos, elas são: Gavotta-Choro, que já ouvimos neste post, mas que vai de novo aqui:

(Por falar em "a qualidade da educação", gostou da minha frase com três ":" daí de cima?)


E a terceira é a Valsinha Brasileira, da qual só encontrei um versão para banda sinfônica. Em todo caso, aqui vai ela:


E chega, pois este PeÉsse já está grande demais, e eu já perdi a paciência... Até a próxima, e

Au-Au!

sábado, 1 de março de 2014

O barquinho vai...

Poizé... Fui, junto com alguns amigos, assistir à Barca di Venetia per Padova, apresentada no CCBB. Uma espécie de "ópera de madrigais": uma sequência de madrigais polifônicos que, quando apresentados juntos, contam uma história. Essa a que assistimos é de autoria de Adriano Banchieri.

Minha opinião, caso interesse a alguém: a música é bonita, sem chegar a ser excepcional (Nada contra. Adoro filmes B, por exemplo!). Mesmo assim, não deu para entender direito o que a música realmente é, por alguns motivos:

- Era para contar uma história, não era? Portanto, a presença de um libreto, na minha opinião, seria indispensável. Ao invés de gastarem 4 páginas com a foto dos músicos, por que não imprimiram, em seu lugar, o texto dos madrigais? Ao invés disso, apenas uma foto (enorme!), que ficou parecendo poster de time de futebol (e tão útil quanto, se você não torcer para esse time específico). Aproximadamente 40 minutos de música, onde você conseguia distinguir apenas uma outra palavra solta, acompanhada por 40 minutos de vídeo projetado sobre uma tela - o que pode ser até interessante. Mas, se já tinha um vídeo, por que não colocaram legenda no próprio vídeo? Tá certo que, à essa altura do campeonato - por falar em futebol - ninguém mais precisa de legenda para, por exemplo, Carmen, do Bizet. Mas Barca..., venhamos e convenhamos, não está entre as 10 mais conhecidas. Se é para apresentar coisa nova à platéia (apoio sempre essa iniciativa!), faça direito!

- Mais "importantemente": musicalmente também  não convenceu. Andamentos todos muito similares (alguns muito lentos, inclusive), fazendo quase todos os madrigais soarem muito parecidos. Acompanhamento instrumental carregado demais, também sem muita variação, o que também ajudava a fazer tudo soar igual.

- 95% dos madrigais foram interpretados como uma grande comédia. Obviamente era uma comédia, mas, mesmo assim, comédia + comédia + comédia + comédia + comédia + comédia  (geralmente é)  = caricatura. Juro que eu ficava o tempo todo me lembrando do filme O Máscara, com o Jim Carey: ao invés de um festival de caras e bocas, tivemos um festival de vozes forçadamente distorcidas o tempo todo, principalmente da primeiro soprano, a ponto de ficarmos em dúvida - eu fiquei, pelo menos - se a voz dela era feia mesmo ou se era apenas "forçação de barra" em excesso.


Na minha modesta (???) opinião, esqueceram da música em si... Deve ter sido muito divertido montar o espetáculo, e me pareceu claro que os músicos estavam se divertindo. O resultado, porém, ficou parecendo (de novo: para mim, ao menos) meio mal-pensado, tipo "Vamos fazer assim porque é divertido, e vamos colocar nosso instrumentos renascentistas chiques tocando o tempo todo, pra ficar mais legal", sem nenhuma razão musicalmente mais profunda para os excessos. Me fez lembrar da Cida Moreira e sua interpretação "palavra a palavra", que também acho caricata e excessiva:


Mais uma crítica: a chamada do espetáculo era "O diferencial da montagem é a contextualização da música renascentista com o olhar da estética contemporêna". Contextualização? Estética contemporânea? Eu devo ser muito burro, pois não notei nada disso... a não ser que 10 minutos de vídeo mostrando uma estrada seja um tipo de "contextualização": vai ver deram um upgrade no barquinho e ele virou um ônibus, e agora é possível fazer o trajeto de Veneza a Pádova por terra, sei lá...

Nota final: 7. Nota 10 pela decisão de se fazer algo diferente (eu sempre reclamo que aqui em Brasília temos pouquíssimas oportunidades para isso!), mas nota 4 pela execução da ideia (o que também é recorrente em Brasília: ideias ótimas, execuções descuidadas).


Enfim... Como eu já disse inúmeras vezes, eu sou chato demais!

Pra terminarmos, e para mostrar que, apesar de a música não ser fantástica, podia ter sido um espetáculo muito melhor, alguns vídeos. Notem, principalmente, as grandes diferenças de um madrigal para outro - diferenças no tratamento vocal, instrumental e interpretativo -  resultando em algo MUITO mais interessante:

Versão encenada, com legendas em francês (só para o narrador, infelizmente):


E uma versão em concerto (imagino que seja, pois não tem imagem nenhuma), que eu gosto mais, musicalmente falando. Ouça e me diga o que achou! E se você ouvir até o final ganha de brinde o madrigal Zefiro torna, do meu grande amigo Claudio Monteverdi:



Pe-Ésse: Não descobri o texto dos madrigais em lugar nenhum...

Pe-Ésse 2: Uma leitora (entre os 3,5 que costumam ler este blog) descobriu o libreto, em formato do Word, AQUI. Obrigado!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Schuchubert

Meudêus...

Fui hoje à noite a um concerto de nossa Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, com o regente chileno Pedro Sierra, numa apresentação da série Concertos Internacionais. Vamos ver se o próximo presta.

Das peças chilenas apresentadas não vou falar, por dois motivos: A primeira peça, Andante para Cordas, de Alfonso Leng Haygus, pelo menos foi bem tocada; nisso, ao menos, parece que o regente se esmerou. Como me pareceu ser considerada um monumento da música chilena, acho melhor eu ficar quieto sobre seus méritos (segundo minha particularíssima opinião) para não mexer com os brios alheios. A segunda peça chilena, Tatio, de Sergio Berchenko, nem cheguei a ouvir, pois foi apresentada após o Schubert.

E a Sinfonia nº 3, em ré maior, D. 200, do Schubert (doravante conhecido como Schuchubert), meudêus... estava tão, mas tão ruim, que estragou a vontade de continuar a assistir ao concerto. Já não é uma grande sinfonia (mas ele tinha 18 aninhos e não é nem um pouco justo a compararmos com as sinfonias do Beethoven, seu contemporâneo bem mais velho); apesar disso, é uma música cheia de vigor rítmico, cheia de energia de gente jovem, e bem divertida, ingênua, gostosa de se ouvir. 

Quer dizer... deveria ser assim. O que nos foi servido, hoje, parecia uma massa mal cozida de ritmos molengos. O que era para ser ebulição de juventude virou um chá de schuschu, feito com água morna, bem longe do ponto de fervura.

O primeiro movimento me pareceu o mais palatável. Daí para a frente o jantar (que já não estava muito quente), foi perdendo cada vez mais energia e virou uma grande e morna sopa de notinhas. O segundo movimento, um lindo Allegretto, com sabor de dança antiga e cortesões educados fazendo mesuras, parecia uma carroça puxada por bois; não que estivesse lento, mas perdeu completamente a leveza característica da dança. Foi como se tivessem arrancado as asas de Pégaso e as tivessem grudado num hipopótamo: ele voou, mas o efeito não convenceu!

O terceiro movimento, meudêumeudêus... o pior de todos. Acentos agógicos (preguiça de explicar o que é isso; então nem vou tentar) fora de lugar, articulações inexistentes, respirações inexistentes. O regente passou do Minueto para o Trio (parte central do Minueto) como se ele tivesse tropeçado no batente da porta da sala e caído de cara  no banheiro; não passou de um trecho para o outro: ele deu a nítida sensação de que tinha tropeçado. Tropeçou tanto, mas tanto, que metade da orquestra se perdeu.

E, para terminar (para "acabar"), o 4º movimento: Presto. Não, não é do verbo prestar: eu presto, tu prestas ele presta; estava longe disso. Talvez não tenha sido tão ruim quanto o 3º movimento, mas, mesmo assim, não prestou. Novamente: ritmos pesados, fraseados inexistentes, respirações inexistentes, equilíbrio inexistente (e andamento arrastado)...

Tadinho do Schubert...

A orquestra também não ajudou, mas ponho grande parte da culpa no maestro, que me pareceu não estar prestando muita atenção no que fazia, ou não teve tempo de ensaiar, ou tinha acabado de descer do avião, ou sei lá o quê. De qualquer forma, a orquestra também não ajudou. Não sei se também faltou ensaio, se faltou tempo, ou se não levaram o serviço muito a sério por ser uma sinfonia de um "moleque" de 18 anos. Nunca foi uma orquestra lá muito precisa nos ritmos, e nesta noite estava pior que nunca. Em cada trecho de música com figurações mais rápidas parecia que haviam soltado no palco um "enxame" de vaga-lumes: cada um piscava na hora que bem entendia. Ou uma panela de pipoca, com seu matraquear rápido e aleatório, totalmente desencontrado. Triste...

Salvou-se, por comparação, a segunda peça do programa, o Concerto para Piano nº 27, em si bemol maior, do Mozart, com a pianista Lígia Moreno. Após um início meio traumático (parecia um Concerto para Contrabaixos e Violas, acompanhado por Orquestra e Piano - novamente, culpa do José, perdão, Pedro Sierra), foi entrando mais nos eixos (relativamente), e acabou sendo o mais divertido da noite, principalmente seu segundo movimento, Larghetto, com seus belos pequenos duetos de piano e flauta. Aliás, os melhores momentos da noite.

Um beijo para a flautista, que mereceu o "Prêmio Melhor da Noite". Pena que eu não possa dizer o mesmo de seu colega clarinetista, que parece ter errado todas as entradas de todos os solos.

Bom, acho que já fiz inimigos bastantes por hoje. Então, tchau!, e espero trazer melhores notícias numa próxima oportunidade.


terça-feira, 11 de junho de 2013

E, por falar em ópera:






Lá vamos nós, para o III Festival de Ópera de Brasília, de 12 de junho a 7 de julho.

Em ordem "anticronológica" de apresentações, teremos:

- Olga, sobre Olga Benário e Luiz Carlos Prestes, de Jorge Antunes. Ópera recentíssima (estreou em 2006), a qual creio irá fazer os ouvintes "tradicionais" se revirarem em suas cadeiras. Não conheço a dita-cuja ainda, mas estou doido para ser apresentado a ela. Não costumo ser do tipo "não conheço mas já não gosto", e adoro  ser apresentado a coisas novas. No mínimo, sempre pode render reclamações, críticas e discussões, depois, o que também é divertido! Parabéns ao Festival por terem incluído algo diferente!

- Verdi e Wagner. Tá certo... Eu sei que o mundo inteiro está comemorando o bicentenário do nascimento dos dois, mas sinceramente ODEIO trechos de óperas! É como ir a uma confeitaria, pedir uma Torta Marta Rocha, e te trazerem apenas o suspiro (tá aqui a receita, se alguém quiser se aventurar a fazer e me dar metade de presente!). Acho um saco pedaços soltos de ópera, ainda mais sendo dois compositores diferentes misturados, e em versão de concerto, sem cenários nem nada. Não dá nem pra chamar de Frankenstein, pois duvido que os pedaços se encaixem direito. Vá, mas não me chame!

- E, para variar, teremos (adivinhe o quê?) Carmen, do Bizet. Adoro, é uma das preferidas de todo mundo, divertida, trágica, linda, boa de ver e ouvir, mas estou imaginando o dia em que o Festival de Ópera de Brasília será conhecido como Festival da Ópera Carmen e Algumas Outras Mais Que Ainda Não Sabemos Quais de Brasília. Estou exagerando, como sempre, mas parece que Brasília é a capital mundial da Carmen, proporcionalmente ao restante da programação operística da cidade.

Ainda estou pensando se irei, novamente, vê-la. Mas... quando a fome é muita, (quase) qualquer coisa é melhor que nada!


Aviso: ao contrário da última edição, que era gratuita, parece que os ingressos custarão R$ 15,00 (meia) e R$ 30,00 (inteira).


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Ercole su’l Termodonte





Assisti há algum tempo a esta ópera de Vivaldi (em DVD - quem me dera tivesse sido ao vivo), numa montagem pelo Il Complesso Barocco, regido por Alan Curtis. Uma ária linda seguida de outra ária linda, intercalada com alguns duetos lindos, mais algumas árias lindas seguidas de algumas árias mais-ou-menos, tudo vivaldiano até o osso. Para quem gosta de Vivaldi - quase todo mundo - é um prato cheio!

Como sói - adoro esse verbo! - acontecer nas óperas dessa época (Barroco), a ação (?) é meio estática (!): eu canto, tu cantas, nós cantamos juntos; depois tu cantas, outro tu canta, e vós cantais juntos; depois ele canta, ela canta, e daí eles(adivinhe?) - cantam juntos... Bem variado, não? E eu fiz questão de repetir a sequência três vezes porque a ópera séria barroca também não costuma se contentar com um só casal de protagonistas: pra que economizar e colocar em cena um só casal de cantores principais se, pelo triplo do preço, eu posso contratar mais dois casais?

O libreto é baseado (baseado no sentido de "fumaram unzinho e depois foram escrever o libreto" - o que não é nenhuma novidade, em se tratando de ópera) em um dos Trabalhos de Hércules (jogue no Google e descubra qual!). Meu conselho: se for assistir à esta ópera, decore o libreto antes (não dá muito trabalho, pois deve se resumir a 2 ou 3 páginas, com espaço dois), ou leia a legenda inicial de cada um dos números (caso não domine o italiano) e depois feche os olhos para ouvir a música, que é linda!


ABRE PARÊNTESES (

Por falar nisso, números é o termo utilizado para cada um dos trechos de uma ópera (ária, duetos, etc); ou seja, para cada um dos "movimentos" de uma ópera (ou oratório, ou cantata).


) FECHA PARÊNTESES


Votando ao Hércules: fechar os olhos pode ser a solução para se ouvir muitas óperas barrocas mas, neste caso específico, talvez você queira manter os olhos abertos, pois o diretor apostou MUITAS fichas no cantor que faz o papel de Hércules, Zachary Stains. E, quer saber?, ele canta muito bem! Depois de um tempo você acaba até se esquecendo que seu figurino se resume a uma pele de leão jogada sobre os ombros (que serve - a pele, não os ombros - como um lugar para ele pôr as mãos, de vez em quando, pois não há um mísero bolsinho disponível por perto). Mas ele não se constrange jamais, e não se envergonha em momento algum por querer se fazer passar por Hércules (eu também não me envergonharia, se fosse parecido com ele...).

Mas, minto... Acho que ele se constrange, sim, com a "roupa nova do rei" que está usando. Pelo menos no início, seu desconforto é audível (apesar de não ser visível), mas depois ele acaba expondo, além do corpo, a competência vocal!



Obviamente esse foi o grande (sem trocadilho, please) chamariz da montagem, que é muito modesta em termos de:

– palco, que é pequeno;

– tamanho da plateia, que parece ter no máximo 8 pessoas;

– cenário, que é enfadonho e desnecessariamente fálico. Para que colocar enormes pênis no cenário se todo mundo vai olhar só para o do cantor? Tá certo que o diretor John Pascoe copiou um famoso monumento fálico em ruínas da ilha de Delos, mas supõe-se que a ópera se passe em Termodonte (Rio Terme, na Turquia), então essa desculpa não vale.



Único senão realmente incomodativo a respeito dos cantores (homens), é o segundo papel principal masculino, Teseu, cantado pelo contratenor Randall Scotting. Os papéis hoje cantados por contratenores foram originalmente escritos para castrati, e são papéis masculinos, o que soa muito estranho para nós, modernos: imagine o Júlio César, imperador de Roma, general de exército, senhor de metade do universo habitado, cantando com a voz parecida com a da Tetê Espíndola, como na ópera Giulio Cesare do Handel); o efeito, para nossos ouvidos do século XXI, é um tanto quanto artificial; parece que os ouvidos estão fora de sincronia com os olhos: o Tarzan abre a boca, mas a voz é da Jane.



E o problema com o Randall Scotting é esse mesmo: além de você estar olhando o Tarzan e ouvindo a Jane, o próprio Tarzan parece estar pensando que é a Jane, o que só aumenta a confusão... “Estou vendo o Tarzan, porém ouvindo a Jane, e o Tarzan é delicado como a Jane, mas tem o tamanho do Tarzan, e está de saia como a Jane, porém tem as pernas do Tarzan”. Depois de 15 minutos de confusão seu cérebro desiste de tentar entender o que está acontecendo e se desliga a cada vez que Tarzan/Jane aparece no palco. Tente religá-lo, pois, no decorrer da ópera, o cantor acaba se convencendo de que ele é o Tarzan/Teseu, e você acaba descobrindo que ele também canta muito bem!


Na verdade os cantores são melhores que as cantoras, melhores principalmente que as sopranos. Após um início problemático, os dois cantores principais vão melhorando conforme a ópera se desenrola. Já as sopranos, sinto informar, deixam bastante a desejar. As vozes, além de duras, pecam por tentarem ser expressivas, e acabam virando o balde: é tanta tentativa de expressão que, depois da segunda ária de cada uma das sopranos, você começa a achar que elas estão encalhadas... Sutileza na interpretação: zero! Já a mezzo-soprano Mary-Ellen Nesi (Antíope) é outra história! Voz linda, timbre lindo, expressiva.

Agora, uma palhinha:



E a ópera inteira, para quem quiser se atreVER:



Apesar dos pesares, no cômputo geral, nota 8! Afinal, quantas óperas do Vivaldi você já viu? Para mim, qualquer chance de se ver algo diferente já vale pelo menos uma nota 5, ainda mais numa montagem que, apesar de não ser excepcional, é muito melhor que muita Tosca tosca que se vê por aí. Se conseguir encontrar o DVD, assista! Mas deixo um aviso aos puristas de plantão: a ópera foi descoberta recentemente, numa cópia incompleta. A versão apresenta é uma reconstrução (por Alessandro Ciccolini), e nem toda a música é do próprio Vivaldi.